MEDINDO A FE

A Ressurreição de Cristo inaugura a ‘outra quaresma’

A Ressurreição de Cristo inaugura a ‘outra quaresma’

Atravessamos o deserto espiritual da tradicional quaresma, tempo propício para a meditação da palavra de Deus, para a esmola, para o jejum, para a penitência e para a conversão. Neste tempo, a Igreja Católica celebrou os mistérios da vida pública de Jesus Cristo e, durante 40 dias, incentivou os fiéis à prática do amor, única virtude eterna e capaz de dizer não para o demônio e para suas obras. Findado o Tríduo Sacro – ceia do Senhor, adoração a Santa Cruz e Vigília Pascal, este tempo glorioso proclama o Cristo ressuscitado e inaugura a ‘outra quaresma’, a da alegria em termos Jesus, nossa páscoa, ressuscitado e em meio a nós.

Os próximos 40 dias serão dedicados a este mistério que sustenta a nossa crença, a este mistério histórico que dá sentido a nossa pregação e fé. (I Cor 15,14). A ressurreição será a temática central da liturgia da Igreja durante seis semanas desde a festa da Páscoa até a solenidade da Ascensão do Senhor aos céus. Nestes dias, Jesus irá ao encontro dos seus discípulos e em Tomé será declarada a necessidade de uma fé confiante (Jo 20,19-31). Ele também interpelará o primeiro Papa, São Pedro, e o exigirá três declarações de amor e fidelidade (Jo 21,1-19) já que é este o apóstolo a quem o Senhor pediu que confirmasse os irmãos na fé (Lc 22,32).

Nesta quaresma de amor, o belo e bom pastor declarará seu amor incondicional ao homem e, sendo Deus, promete-nos jamais deixar-nos a sós. (Jo 10,27-30). Ainda seremos lembrados do Amor maior e revestido de carne, o Cristo Senhor, que nos pede para amarmos aos outros como amamos a nós mesmos (Jo 13,31-33a.34-35) e que nos exorta a guardar sua palavra como sinal de amor de nós homens para com ele, o Deus-Conosco (Jo 14,23-29).

Essa quaresma da alegria que vivemos desde a instauração do tempo Pascal havia sido prefigurada no sermão do Papa Francisco quando da celebração do Domingo de Ramos. “Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais! Nunca vos deixeis invadir pelo desânimo! A nossa alegria não nasce do fato de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus.” O ressuscitado devolverá a sua Igreja militante a alegria perdida durante a procissão de tristeza que aqueles discípulos faziam até Emaús (Lc 24,13).

A sua Igreja, consoante e obediente às palavras de sua Santidade, o papa Francisco, deve reconhecer nesse tempo tão propício para a vivência das virtudes da fé, da esperança e da caridade, que o Jesus Cristo anunciado nos Evangelhos e proclamado aos quatro cantos da terra não é um ser ausente, mas um Deus atuante e que quer, ao lado do homem e da mulher, caminhar e fazer-se caminho. Vivamos todos com entusiasmo este quaresma de gozo e felicidade.

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