E eu com isso se um comercial de TV faz uma citação pouco honrosa a um credo que não é o meu? Cada um que vá viver a sua religião, seu agnosticismo ou seu ateísmo. Somos um Estado laico que, à priori, respeita a livre manifestação do pensamento religioso.
Só mesmo uma falsa religião percebe e ignora os erros cometidos contra seus irmãos. Quero sair em defesa não apenas dos que possam sentir-se ofendidos com os dizeres de um comercial de TV, mas pretendo também que os leitores do blog Medidas de Fé sintam-se chamados ao encontro do outro numa perspectiva mais empática e mais harmoniosa.
Revendo a propaganda de fim de ano do Banco Itaú, um trecho do texto me causou certo desconforto.
“Dedicamos esse final de ano a quem vai fazer o ano que vem. A pessoa que mesmo sabendo dos problemas do mundo, vai encontrar um momento de gênio e de inspiração. A quem ignora o pessimismo e encontra esperança dentro dele mesmo. A quem não fica esperando previsões astrológicas favoráveis; que vai lá e faz; transforma, que muda; Dedicamos 2012 a você. / Mude 2012; mude o mundo e conte com o Itaú para mudar com você! (locutor) – grifo meu
O que tem de mais nesse trecho?
Para mim, nada. Sou católico, não creio que os astros exerçam quaisquer influências sobre as nossas vidas. Mantendo o texto do Itaú, vou reescrever a parte grifada:
“A quem não fica esperando bençãos vindas das mãos de Deus”
Estou bastante convicto de que haveria grandes protestos nos quatro cantos do Brasil, afinal um credo havia sido desrespeitado por uma grande empresa.
Registro aqui o meu protesto!
Não se pode admitir quaisquer interpretações que desmereçam a religião no Brasil. Se uma pessoa, no livre uso de sua inteligência e vontade, espera previsões astrológicas favoráveis para a vida no ano novo que está para chegar, quem somos para dizer que ela não deve crer nisso?
Qual era a intenção do Banco Itaú? Creio que houve uma falha na redação que não indica má fé da instituição.
Erro, sim! Intenção de desrespeito, não!
Sejamos solícitos aos nossos semelhantes. Um dia seremos todos cobrados pelo amor que não oferecemos uns aos outros.























Observação perspicaz, Edmar! Além da defesa da crença do irmão, um puxão de orelha na campanha do Itaú. Se formos mais cautelosos observaremos muito mais absurdos contra a fé, a cultura, a tradição etc, pelos meios de comunicação de nosso país.
Sábio João Paulo II que tinha um diálogo ecumênico ( no sentido amplo da palavra – οἰκουμένη (oikouméne), designando “toda a terra habitada”) com muitas denominações. Vide os maravilhosos encontros em Assis…
Um abraço!